Eleição para presidência da OAB de Minas vai parar na Justiça

Segundo colocado na disputa, Sérgio Murilo alega que houve fraude na vitória de Raimundo Cândido. Diferença foi de apenas 111 votos

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A eleição mais apertada da história da seção mineira da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), realizada nesse sábado, virou caso de polícia e de Justiça. A polêmica envolve as chapas 1 e 2 – encabeçadas por Sérgio Murilo Braga e Raimundo Cândido, respectivamente – e uma diferença de apenas 111 votos. Segundo colocado na disputa, com 17.965 votos, Braga alega que houve fraude nas eleições e recorrerá à Polícia Federal para que seja aberto um inquérito e à Justiça Federal na tentativa de uma liminar que suspenda o resultado das eleições.

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Sérgio Murilo Braga alega que por volta das 21h – a apuração terminou duas horas depois – ele já tinha votos suficientes para vencer a disputa pelo comando da OAB e chegou inclusive a receber ligações de felicitações do terceiro colocado, Sérgio Leonardo, e do presidente do Conselho Federal da OAB, Claudio Lamachia.

Diante dos números favoráveis, ele conta que a entidade disponibilizou o auditório para a comemoração. No entanto, quando estavam prestes a sair para festejar em um restaurante, foi informado que Raimundo Cândido seria o vencedor. “É evidente que houve uma fraude, infelizmente. É lamentável que a OAB fale em eleições limpas, dignidade, e estamos sendo vítimas de uma fraude criminosa”, afirmou o advogado. Vídeos divulgados na internet e redes sociais mostram a comemoração.

De acordo com Sérgio Murilo, tanto na PF quanto na Justiça Federal será solicitado o recolhimento de todas as cédulas e mapas eleitorais para verificação do resultado. O advogado garante que simpatizantes de todo o estado fotografaram os boletins das urnas e foram encaminhando durante a apuração. O resultado apontaria para a vitória dele. Tanto que a chapa teria desmobilizado os fiscais que acompanhavam a apuração em Belo Horizonte.

O coordenador da campanha adversária, Raimundo Cândido Neto, contestou a versão apresentada por Sérgo Murilo. De acordo com ele, faltavam mais de 2 mil votos quando o segundo colocado iniciou a comemoração da vitória no auditório da OAB.

“Nós aguardamos até a última urna. Eles foram completamente precipitados. Acho que essa manifestação dele é para minimizar a vergonha que está passando do ponto de vista nacional porque comemorou uma vitória antes de esperar totalizar os votos”, argumentou.

Fiscais

Oficialmente, a OAB anunciou que Raimundo Cândido será o novo presidente da entidade ao ter recebido 18.076 votos. Este será o quinto mandato do advogado à frente da entidade. Sérgio Murilo foi votado por 17.965 advogados e Sérgio Leonardo recebeu 15.466 votos. A votação foi feita em cédula de papel. Somente em Belo Horizonte são 88 seções eleitorais. Dos mais de 70 mil advogados inscritos e aptos a votar, pouco mais de 51 mil foram às urnas.

O presidente da Comissão Eleitoral da OAB, Antônio Marcos Nohmi, afirmou que não houve qualquer notificação oficial a nenhum dos candidatos antes da apuração de 100% das urnas. “Durante todo o processo eleitoral, todos os representantes das três chapas estavam junto conosco recebendo todos os boletins. Elas tinham a possibilidade fazer uma totalização paralela, isso que deve ter acontecido. Só por volta de 23h recebemos o último resultado da última subseção”.

Ainda de acordo com Nohmi, os fiscais indicados por cada uma das chapas acompanharam a totalização até o final e puderam verificar todos os boletins recebidos das seções eleitorais – incluindo o advogado designado por Sérgio Murilo. “Toda a apuração dos votos é feita no local da votação pelos próprios mesários com a presença dos fiscais de todas as chapas que presenciaram tudo e verificaram as atas. A folha de totalização dessas mesas nos era repassada e fomos totalizando de tempos em tempos”, explicou.

Antônio Marcos Nohmi assegurou que não houve nenhuma impugnação das atas de apuração e que a comissão está à disposição para prestar informações sobre quaisquer denúncias envolvendo as eleições.

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