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Vírus, insetos e doenças: As cinco pragas da década de 2020

Além de a pandemia do novo coronavírus provocar milhares de mortes e levar pânico em todo o mundo, cientistas descobrem novas doenças perigosas, e nuvem de gafanhotos arrasa a Argentina e a África Oriental

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Milênios antes do nascimento de Jesus relatado pelas religiões cristãs, as dez pragas do Egito se eternizaram por meio da Bíblia. E a maldição do povo egípcio começou após o faraó Ramsés II não permitir que os hebreus deixassem as suas terras. Nuvens de gafanhotos, invasão de moscas e piolhos trouxeram mortes e dificuldades. A série de tragédias só terminou com a saída dos hebreus daquelas terras.

Pesquisas desenvolvidas por físicos, geólogos e biólogos trazem indícios de que diversos desastres naturais afetaram fortemente a população do Antigo Egito nesse período. Explicados pela ciência ou pela mitologia, os acontecimentos do passado mostram que pragas e doenças pandêmicas sempre estiveram presentes entre a humanidade. E o temor provocado por vírus e insetos em 2020 traz de volta as incertezas.

Além do novo coronavírus, que já provocou mais de 500 mil mortes em todo o planeta, cientistas descobrem outras doenças com potencial pandêmico. Batizado de G4, um novo vírus encontrado em porcos na China surgiu de uma mutação do H1N1, o mesmo da pandemia de 2009. Em um estudo divulgado na última semana, pesquisadores apontaram que o “parente” do vírus da gripe se multiplicou entre os animais em 2016.

E diversos testes revelaram que o G4 pode infectar os humanos, apesar de ainda não haver registros oficiais da contaminação. Do outro lado do globo, na França, o vírus cristoli intriga cientistas franceses. Transmitido por mosquitos, ele foi identificado nos arredores de Paris depois de contaminar uma mulher de 58 anos, que morreu de encefalite. Porém, não há evidências de que o micro-organismo possa gerar outra crise de saúde global.

E, no Brasil, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) divulgou, também em junho, a identificação de uma nova linhagem do zika vírus. Originário da África, o micro-organismo foi localizado nas regiões Sul e Sudeste e é transmitido pelo mosquito conhecido como “tigre asiático” – com características parecidas com as do Aedes aegypt, o inseto é responsável pelos casos de dengue nos países do continente, mas não prolifera a doença em território brasileiro.

Os efeitos do vírus no corpo são desconhecidos, e, segundo a entidade, ainda não há casos confirmados. Já o vírus anterior, que chegou ao país em 2015, foi responsável por 413 registros da zika em Minas Gerais neste ano – 89 pessoas tiveram a infecção positiva, e os demais seguem em investigação pela Secretaria de Estado de Saúde.

Fundadora do Instituto Questão de Ciência, a bióloga e pesquisadora Natalia Pasternak lembra que os vírus fazem parte do ecossistema do planeta. Conforme a especialista, eles estão presentes nos animais e, por meio de hospedeiros – geralmente bichos que vivem no mesmo ambiente dos humanos –, sofrem mutações e conseguem contaminar as pessoas.

“É nossa interação com o planeta que faz com que os humanos acabem esbarrando com esses micro-organismos. A exploração predatória dos recursos naturais traz para perto reservatórios dos vírus que estavam muito longe”, explica. Como exemplo, ela cita o morcego. Esses animais possuem grande parte dos agentes infecciosos que acometem os humanos, a exemplo do novo coronavírus.

Nesse mamífero, o vírus se multiplica, mas não transmite a doença diretamente para as pessoas. Ao encontrar um hospedeiro, geralmente os animais domésticos, como porcos e vacas, o micro-organismo pode se adaptar para conseguir atacar as células humanas. “No caso da Covid-19, ainda não foi descoberto o intermediário da transmissão, mas há suspeitas de que seja o pangolim, mamífero típico nos mercados vivos da China”, conta.

Em 2012, outra linhagem do novo coronavírus chegou a provocar mortes na Arábia Saudita. “Nesse caso, o intermediário foi o camelo”, acrescenta. Para a especialista, o surgimento cada vez mais rápido das novas doenças pode ser explicado por dois fatores: a destruição do planeta pelas atividades predatórias e também o desenvolvimento tecnológico, que permite descobrir rapidamente essas enfermidades.

“Enquanto não passa para humanos, não há motivo para pânico. Existe um sistema de vigilância para esses vírus. No caso da Covid-19, teve uma falha, mas é um vírus muito contagioso, que pode ser assintomático e com dificuldade para detectar. Essas pandemias já aconteceram outras vezes na história, provocaram milhões de mortes, e a humanidade era muito menos preparada. A peste negra levou milênios para se descobrir o que era realmente”, enfatiza.

Os gafanhotos

Além das doenças que levaram temor a todo o planeta, grandes pragas provocam consequências graves para a população em 2020. É o caso da nuvem de gafanhotos na Argentina, que devasta a agricultura e quase chegou a atingir a região Sul do Brasil. As análises apontam que os mais de 40 milhões de insetos podem comer, em um dia, alimentos que sustentariam 35 mil pessoas.

Na África Oriental, um enxame de outra espécie de gafanhotos leva destruição e é considerado o pior surto no Quênia dos últimos 70 anos. A bióloga Natalia Pasternak enfatiza que todo esse desequilíbrio natural é reflexo do aquecimento global e das mudanças climáticas provocadas pelo homem. “Com certeza, contribui para o bem-estar de todos os seres vivos do planeta”, finaliza.

FonteO Tempo
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